Rafael Braga

O efeito do defeito

Existe um rapaz capaz de um milagre próprio. Muito invulgar. O de regenarar as suas próprias feridas. Num incêndio em sua casa, o seu corpo ficara carborado pelas chamas em sessenta porcento. Os seus pais faleceram. Duas semanas mais tarde, o seu corpo sarou completamente, nem uma cicatriz. Mas isso não o surpreendeu. O seu coração continuava queimado pela perda.

O efeito do defeito

Existe um rapaz que possui desde pequeno um enorme controle da sua mente. Muito invulgar. Sempre soubera que era o único capaz dessa proeza por natureza. Tirara partido durante o seu crescimento, na sua educação, nas amizades e até no amor. Mas a sua personalidade fazia jus às óbvias estranhezas. Tornou-se menos sociável à medida que o seu controle aumentava. Com um outro "mundo" a seu lado, inconscientemente que os seus próprios sonhos criaram, viveu na linha tênue entre a realidade e a imaginação.

O efeito do defeito

Existe um menino dotado de uma capacidade. Muito invulgar. Perdera a sua família num acidente com apenas dois anos de idade. Crescera com a tia que cuidara dele como uma mãe. Vivera com ela até, infelizmente, ela ter adoecido e falecera perante ele. Nesse dia, espantosamente, ele falou pela primeira vez com os seus verdadeiros pais. Sentiu o amor deles penetrar o seu peito à medida que desesperava por abraça-los. O menino agradeceu a benção e tornou-se esperançoso.

O efeito do defeito

Existe uma rapariga com um espantoso dom. Muito invulgar. Durante a sua adolescência tivera dificuldade em aceitar o facto de ter perdido a audição; Jamais ouviria as vozes das pessoas que amava, as suas músicas preferidas, nem a natureza em seu redor. A certa altura da sua vida algo mudou. Ouviu uma voz ao fim do túnel. Nesse dia a rapariga descobriu como ouvir o interior das pessoas e sorriu.

Não consigo descrever a liberdade que senti apenas ao assistir.

O efeito do defeito

Existe um rapaz com um grande talento. Muito invulgar. Aprendera a escrever aos seis anos de idade e desde então aperfeiçoara a sua escrita. Mais tarde, o jovem estudante e totalmente reservado, descobrira uma forma de controlar os seus sonhos. Certa noite ele escreveu em paz num dos seus novos cadernos uma carta a lembrar o seu melhor momento da vida. Nessa noite o rapaz sonhou feliz.

Shutter Island



Ainda há filmes que surpreendem. Sem palavras.
 

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